Em seu 3º ano, Seminário Nacional de Energia Nuclear discute segurança e tecnologia*

(Entrevista publicada no site Petronotícias*)

Começa amanhã, o 3º Seminário Nacional de Energia Nuclear, que contará com a presença de técnicos e diretores da ELETRONUCLEAR e da Comissão de Energia Nuclear (CNEN), além de outras instituições e empresas do ramo. Durante o evento serão discutidas as tecnologias e novas medidas voltadas para a segurança nuclear das usinas de geração de energia. Após o acidente ocorrido em Fukushima, no Japão, a Eletronuclear programou um investimento de R$ 300 milhões em um programa de reavaliação das usinas nucleares de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O diretor da Planeja & Informa Comunicação e Marketing, Carlos Emiliano Eleutério, está organizando o evento e conversou com o repórter Estephano Sant’Anna sobre a ideia do evento.

Como o Seminário iniciou e de quem veio a iniciativa?

A iniciativa veio da Planeja & Informa Comunicação e Marketing que já atua há muito tempo nessa área ligada, principalmente à energia nuclear. Logo que foi retomado o projeto das usinas nuclear, com a retomada de Angra 3 que ficou paralisada por mais de 20 anos, decidimos nos reunir para originar o Seminário, que já se encontra na terceira edição.

Quando foi anunciada a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, nós éramos responsáveis pela produção e edição da publicação da Revista do Clube da Engenharia, na gestão do Presidente Heloy Moreira. A Revista fez uma edição especial sobre o programa nuclear brasileiro que trouxe à tona uma série de dúvidas sobre ações, contratos, etc. Queríamos esclarecer isso tudo. A edição foi muito bem recebida e partir daí pensamos: ‘Por que não promover um debate para esclarecer essas dúvidas reunindo os atores da área nuclear’?

Quem participa do evento?

Assim que decidimos promover o debate, pensamos que deveria haver convidados especiais da área. Hoje, contamos com vários representantes da cadeia nuclear brasileira, empresas de consultoria, construção e montagem industrial, fornecedores de equipamentos e soluções tecnológicas para discutir investimentos, demanda de mercado, entre outros.

Pode falar um pouco sobre o cronograma?

Quem abrirá o evento será o Leonam dos Santos Guimarães, representando a Presidência da Eletronuclear e Angelo Fernando Padilha, Presidente da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Leonam trará uma palestra muito esperada entitulada “As lições de Fukushima”, depois de Ivan Pedro Salati de Almeida que apresentará o cenário mundial depois desses desastres. Teremos diversos painéis com palestrantes renomados para discutir o mapeamento das área de risco, o licenciamento ambiental, as tecnologias para garantir mais segurança, etc.

Como surgiu a proposta para falar de Segurança e Tecnologia Nuclear?

Na verdade, tudo aconteceu depois do acidente de Fukushima. Depois que a tsunami comprometeu a segurança daquelas usinas, o mundo inteiro passou a discutir isso, até mesmo para saber de que forma poderiam garantir as usinas prevendo qualquer catástrofe. Apesar de terrível, o acidente acabou servindo para, de alguma forma, alertar o mundo. A Eletronuclear passou a trabalhar num programa de modernização tecnológica para melhorar a segurança das usinas com um investimento de 300 milhões que serão investidos durante 5 anos com um foco específico.

E quanto à mão-de-obra especializada para esse tipo de segurança?

Essa também é uma preocupação da indústria em geral. A indústria precisa de formação de mão-de-obra qualificada e voltada para essa questão… que possa evoluir para garantir a segurança. Essa é uma das nossas pautas para o debate.

Qual a expectativa da Planeja para o evento que começará amanhã?

Estamos muito empolgados. Acredito que a energia nuclear seja fundamental para a matriz energética brasileira. Falar de segurança é imprescindível e, depois de todo o caos em Fukushima, estamos alertados. A energia nuclear é uma energia limpa, mas que exige o máximo de cuidado. Não podemos descuidar da questão da segurança e tecnologia.